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A DOENÇA DAS VACAS LOUCAS
A Europa e a França são há muito tempo deficitárias na produção de cereais proteaginosos, embora estas plantas ricas em proteínas permitam uma engorda rápida dos animais. Mesmo fortemente subsidiadas e cobrindo 70% da superfície agrícola, as colheitas não bastam para cobrir as necessidades das criações intensivas de gado.
De facto nós nunca tivemos meios para comer carne como comemos. Durante anos alimentámos o gado com farinhas animais saídas do açougue. E foi preciso que as vacas ficassem loucas para darmos conta de que elas se tinham tornado carnívoras. Foi preciso o escândalo do frango com dioxinas, para descobrirmos que dávamos aos frangos a comer fosse o que fosse, incluindo lamas residuais da estação de tratamento.
Estas contrariedades obrigaram os produtores a voltarem-se para o mercado de cereais, fazendo aumentar a procura. Aumentaram as importações de forragem animal, 60% das quais provêm de países em vias de desenvolvimento. Pomos as suas populações pobres a cultivar soja, milho ou colza, destinados a engordar o nosso gado. Mas a maior parte delas continua a sofrer a fome e a malnutrição.
Outro escândalo ligado a estas importações é o facto de que elas introduziram os Organismos Geneticamente Manipulados na alimentação dos animais, já que 60% da soja cultivada mundialmente é geneticamente modificada. Os OGM são proibidos em França, mas não a sua importação, nem a utilização nas criações. No próximo escândalo sanitário, os franceses ficarão a saber que alguns animais que eles devoram são há anos alimentados com OGM.
Mas além destas culturas destinadas a encher a pança dos nossos animais, agora desenvolvemos culturas destinadas a encher… os depósitos das nossas viaturas.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
O grito
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Hora do folhetim - 27
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No princípio de Outubro, numa noite clara de luar, levantaram voo e seguiram um vale afluente do Orinoco, até ele se perder nas montanhas que separam as bacias hidrográficas do Orinoco e do Amazonas. Então desceram um pouco e sobrevoaram um afluente do Amazonas. Seguiram a estreita fita de água para sul, e tinham atingido o poderoso rio quando a manhã chegou. Deste lado do equador, os ventos alísios sopram de noroeste para sueste. Para ter vento de lado, o bando seguiu, durante a noite, a direcção de sudoeste, em vez de se dirigir directamente para sul. Voaram 800 quilómetros, e ao romper do dia tinham à vista os Andes peruanos, com os seus cumes cobertos de neve. Na orla sul da zona dos alísios o vento soprava de leste, e nas três noites seguintes dirigiram-se para sueste. Quando chegou a quinta manhã, as aves estavam de novo magras e cansadas. Poisaram nas Pampas argentinas, quatro mil quilómetros a sul dos Llanos da Venezuela.
A primavera tornara verdes o capim e os cardos gigantes, e havia enxames de gafanhotos. As aves comeram durante todo o dia, alimentando-se dos insectos nas ervas rasteiras. Por vezes procuravam zonas mais fundas, onde o chão era pantanoso e o capim crescia mais forte. Aqui viviam insectos aquáticos, que enriqueciam a alimentação, tornando-a variada. As aves prosseguiam caminho frequentemente, sem nunca fazerem longas etapas. As suas rémiges estafadas tinham caído, dando lugar a outras novas. E em breve as asas ganharam de novo a sua antiga força.
Estavam agora a quase treze mil quilómetros de distância dos locais de nidificação no Árctico. Para além delas, só os pernas-amarelas, pilritos-dos-prados e muito poucas aves tinham empreendido tão longa viagem. No entanto o impulso migratório continuava a empurrar o maçaricão e as tarambolas para sul. Nas noites claras, quando fortes ventos de oeste varriam as pampas, criando boas condições de voo com vento lateral, o bando atacava de novo os ares. Horas depois estavam duzentos, trezentos quilómetros mais a sul, e, por um momento, acalmava a sua inquietação. O maçaricão conduziu o bando até ao cimo de uma colina enluarada. As tarambolas seguiram-no e esperaram aqui pela manhã.
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No princípio de Outubro, numa noite clara de luar, levantaram voo e seguiram um vale afluente do Orinoco, até ele se perder nas montanhas que separam as bacias hidrográficas do Orinoco e do Amazonas. Então desceram um pouco e sobrevoaram um afluente do Amazonas. Seguiram a estreita fita de água para sul, e tinham atingido o poderoso rio quando a manhã chegou. Deste lado do equador, os ventos alísios sopram de noroeste para sueste. Para ter vento de lado, o bando seguiu, durante a noite, a direcção de sudoeste, em vez de se dirigir directamente para sul. Voaram 800 quilómetros, e ao romper do dia tinham à vista os Andes peruanos, com os seus cumes cobertos de neve. Na orla sul da zona dos alísios o vento soprava de leste, e nas três noites seguintes dirigiram-se para sueste. Quando chegou a quinta manhã, as aves estavam de novo magras e cansadas. Poisaram nas Pampas argentinas, quatro mil quilómetros a sul dos Llanos da Venezuela.
A primavera tornara verdes o capim e os cardos gigantes, e havia enxames de gafanhotos. As aves comeram durante todo o dia, alimentando-se dos insectos nas ervas rasteiras. Por vezes procuravam zonas mais fundas, onde o chão era pantanoso e o capim crescia mais forte. Aqui viviam insectos aquáticos, que enriqueciam a alimentação, tornando-a variada. As aves prosseguiam caminho frequentemente, sem nunca fazerem longas etapas. As suas rémiges estafadas tinham caído, dando lugar a outras novas. E em breve as asas ganharam de novo a sua antiga força.
Estavam agora a quase treze mil quilómetros de distância dos locais de nidificação no Árctico. Para além delas, só os pernas-amarelas, pilritos-dos-prados e muito poucas aves tinham empreendido tão longa viagem. No entanto o impulso migratório continuava a empurrar o maçaricão e as tarambolas para sul. Nas noites claras, quando fortes ventos de oeste varriam as pampas, criando boas condições de voo com vento lateral, o bando atacava de novo os ares. Horas depois estavam duzentos, trezentos quilómetros mais a sul, e, por um momento, acalmava a sua inquietação. O maçaricão conduziu o bando até ao cimo de uma colina enluarada. As tarambolas seguiram-no e esperaram aqui pela manhã.
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quarta-feira, 9 de junho de 2010
Planeta-Mãe - 17
A MUDANÇA DOS COMPORTAMENTOS ALIMENTARES
À medida que o nível de vida aumenta, cresce o consumo de produtos de origem animal, como a carne e os lacticínios, em detrimento dos produtos vegetais. Em numerosos países emergentes, os comportamentos alimentares ocidentalizaram-se fortemente nas últimas décadas.
Por exemplo, na China, onde cerca de 300 milhões de pessoas vivem hoje segundo o nosso modo de vida, a quota de proteínas animais no consumo total de proteínas alimentares passou de 12% (1969-1971) a 39% (2001-2003). Em França, esta quota é de 65% (2001-2003).
O consumo regular de carne é visto há muito tempo como um símbolo de riqueza. E a carne é um produto de luxo. Um luxo económico. Um luxo ecológico. Em períodos difíceis, é o primeiro alimento a tornar-se raro. Torna-se um privilégio dos ricos. Foi assim nos anos 30, depois da depressão de 1929, e depois durante a 2ª Guerra Mundial. Não admira que, na euforia do pós-guerra e dos 30 anos gloriosos, o simbolismo de “comer carne todos os dias” tenha tomado tanta importância.
As criações em estábulo e as subvenções agrícolas permitiram criar a ilusão da “carne barata”. Mas se os animais tivessem sido criados em boas condições, e se a produção da sua alimentação não tivesse sido subsidiada, os preços da carne seriam bem outros. Donde vem o dinheiro das subvenções? Dos impostos!
Os camponeses que há 50 anos criavam o seu próprio gado não precisavam de conhecer os números que se seguem, para saber que comer carne todos os dias era um luxo. Vendo a quantidade de alimento que era preciso dar a um frango durante seis meses, para o ver ser comido por 4 pessoas numa refeição, eles sabiam muito bem que, para alimentar a sua família, era melhor comer pão do que engordar frangos. E tratando-se dum porco ou duma vaca…
- A carne fornecida por uma vaca representa 1.500 refeições. Os cereais que ela comeu representariam 18.000.
- 40% das colheitas alimentares mundiais destinam-se à alimentação do gado. 70% da superfície cultivada nos países desenvolvidos destina-se à alimentação animal.
- Num hectare utilizado para produzir 50 Kg de carne bovina, poderiam ser produzidas 4 toneladas de maçãs, 8 de batatas, 10 de tomate, ou 12 de aipo, etc.
- Reduzindo apenas o consumo ocidental de carne em 10%, poder-se-iam alimentar mais 100 milhões de pessoas.
- As culturas de forragens são as principais beneficiárias das pulverizações químicas.
Tinha razão Albert Einstein: “O maior progresso que a humanidade pode realizar para assegurar o seu próprio futuro consiste na adopção do regime vegetariano”.
Em França, depois dum forte aumento durante os últimos 50 anos, o consumo de carne e lacticínios por habitante continua a aumentar. No mundo, o consumo de carne passou de 27 Kg por habitante e por ano em 1990, para 38 Kg em 2005. Mesmo com população constante, esta tendência induz, só por si, a necessidade suplementar de culturas forrageiras cobrindo milhões de hectares.
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À medida que o nível de vida aumenta, cresce o consumo de produtos de origem animal, como a carne e os lacticínios, em detrimento dos produtos vegetais. Em numerosos países emergentes, os comportamentos alimentares ocidentalizaram-se fortemente nas últimas décadas.
Por exemplo, na China, onde cerca de 300 milhões de pessoas vivem hoje segundo o nosso modo de vida, a quota de proteínas animais no consumo total de proteínas alimentares passou de 12% (1969-1971) a 39% (2001-2003). Em França, esta quota é de 65% (2001-2003).
O consumo regular de carne é visto há muito tempo como um símbolo de riqueza. E a carne é um produto de luxo. Um luxo económico. Um luxo ecológico. Em períodos difíceis, é o primeiro alimento a tornar-se raro. Torna-se um privilégio dos ricos. Foi assim nos anos 30, depois da depressão de 1929, e depois durante a 2ª Guerra Mundial. Não admira que, na euforia do pós-guerra e dos 30 anos gloriosos, o simbolismo de “comer carne todos os dias” tenha tomado tanta importância.
As criações em estábulo e as subvenções agrícolas permitiram criar a ilusão da “carne barata”. Mas se os animais tivessem sido criados em boas condições, e se a produção da sua alimentação não tivesse sido subsidiada, os preços da carne seriam bem outros. Donde vem o dinheiro das subvenções? Dos impostos!
Os camponeses que há 50 anos criavam o seu próprio gado não precisavam de conhecer os números que se seguem, para saber que comer carne todos os dias era um luxo. Vendo a quantidade de alimento que era preciso dar a um frango durante seis meses, para o ver ser comido por 4 pessoas numa refeição, eles sabiam muito bem que, para alimentar a sua família, era melhor comer pão do que engordar frangos. E tratando-se dum porco ou duma vaca…
- A carne fornecida por uma vaca representa 1.500 refeições. Os cereais que ela comeu representariam 18.000.
- 40% das colheitas alimentares mundiais destinam-se à alimentação do gado. 70% da superfície cultivada nos países desenvolvidos destina-se à alimentação animal.
- Num hectare utilizado para produzir 50 Kg de carne bovina, poderiam ser produzidas 4 toneladas de maçãs, 8 de batatas, 10 de tomate, ou 12 de aipo, etc.
- Reduzindo apenas o consumo ocidental de carne em 10%, poder-se-iam alimentar mais 100 milhões de pessoas.
- As culturas de forragens são as principais beneficiárias das pulverizações químicas.
Tinha razão Albert Einstein: “O maior progresso que a humanidade pode realizar para assegurar o seu próprio futuro consiste na adopção do regime vegetariano”.
Em França, depois dum forte aumento durante os últimos 50 anos, o consumo de carne e lacticínios por habitante continua a aumentar. No mundo, o consumo de carne passou de 27 Kg por habitante e por ano em 1990, para 38 Kg em 2005. Mesmo com população constante, esta tendência induz, só por si, a necessidade suplementar de culturas forrageiras cobrindo milhões de hectares.
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terça-feira, 1 de junho de 2010
Hora do folhetim - 26
(...)7
As tarambolas-douradas e o maçaricão-esquimó ficaram duas semanas no Orinoco e depressa voltaram a engordar. Milhares de outras narcejas povoavam a vasta pradaria, tarambolas que também tinham feito a longa viagem sobre o oceano, e ainda uma dúzia de outras espécies que tinham voado sobre terra, através das planícies da América do Norte e do istmo do Panamá. Aqui encontravam-se de novo, nos Llanos da Venezuela. Também havia esplêndidas aves dos trópicos, que nidificavam nesta altura e alimentavam zelosamente os filhos. Os ninhos das garças-brancas cobriam largas superfícies dos pântanos, junto ao rio, e as garças eram tantas que se empurravam umas às outras. A íbis vermelha, jóia das aves tropicais, voava em bandos ao longo das margens do rio, procurando alimento. De início, quando as íbis se aproximavam, pareciam sombras cinzentas; ao passarem perto, inflamava-se-lhes a plumagem vermelha; quando se afastavam, a cor desvanecia-se novamente.
Havia comida em abundância e muitas das narcejas árcticas deixavam-se ficar por aqui. Mas o maçaricão e as tarambolas, após duas semanas em que comeram e acumularam gordura, voltaram a sentir o velho impulso que as empurrava para sul. As outras tarambolas já tinham partido. Tal como no Lavrador, o bando do maçaricão foi o último a largar.
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Um mundo feito à mão-15
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