sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Hora do folhetim - 10

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3

Hora após hora voou o maçarico num ritmo poderoso, rápido e regular. Os seus batimentos de asa eram fluentes e leves. Principiavam por baixo do abdómen e abriam-se largamente por cima do dorso. Cada batimento constituía uma complicada sucessão de passos, harmoniosamente ajustados uns aos outros, fundidos, numa fracção de segundo, num elegante movimento único. As asas funcionavam numa combinação perfeita de superfície aerodinâmica e hélice impulsora. O vento desempenhava diversas funções durante o voo.
O plano da asa, junto ao corpo, cortava o ar como a superfície de um avião. Deste modo criava-se pressão no intradorso da asa, daí resultando sustentação, exactamente aquele impulso que possibilita o voo. No maçaricão isso era conseguido apenas através da forma aerodinâmica da asa. O batimento fornecia impulso, mas nada tinha que ver com a sustentação no ar.
A superfície exterior da asa era composta sobretudo por fortes rémiges sobrepostas. Elas eram a hélice do sistema de propulsão da ave, e produziam a corrente de ar que fornecia sustentação aos planos alares, junto ao corpo. Em cada batimento, as rémiges executavam uma complicada sucessão de posições. Quando a asa baixava, elas deviam mover-se do modo seguinte: o bordo de ataque baixava e subia o bordo de fuga, funcionando assim cada pena como pá de uma hélice, que aspirava o ar e criava impulsão. Quando a asa subia, o ângulo de ataque das rémiges tinha que ser ao contrário, assim se criando impulsão suplementar. A superfície alar junto ao corpo produzia continuamente tanto impulso que não se perdia altitude, mesmo quando a asa se movia para cima. A regulação perfeita das penas era um reflexo que não podia ser conscientemente controlado, pois o maçaricão executava três ou quatro batimentos de asa por segundo, o que lhe permitia uma velocidade de oitenta quilómetros por hora.
Ocasionalmente o maçaricão entrava no turbilhão provocado por uma ave que seguia adiante dele. Com as suas asas ultra-sensíveis podia detectar mesmo tão insignificantes vestígios. Por norma, uma leve alteração nas condições aerodinâmicas do voo era o primeiro sinal de que se aproximava de um bando de aves. Quando deparava com tais turbilhões, o maçaricão aproveitava-se deles. Seguia-os, deixando-se arrastar como uma asa pela coluna de ar horizontal. Assim mantinha a impulsão correcta, e as asas podiam funcionar com um pouco menos de esforço.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Hora do folhetim - 9

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Lá no alto, por cima de si, o maçaricão ouvia as fracas vozes ciciadas das aves que se dirigiam do Árctico para outras paragens mais quentes. Nas margens dos charcos começavam a formar-se cristais de gelo. O instinto do maçaricão-esquimó proibia-o de voar sozinho. Porém, quando lançou à noite fria um chamamento estridente, ninguém respondeu. E era tempo de partir.
Elevou-se na aragem, procurou encontrar o ângulo mais favorável, com o bordo de ataque das asas levantado e o bordo de fuga descaído, até sentir finalmente a corrente ascendente. Na família das galinholas, o maçaricão tinha as asas mais bem adaptadas a um voo fácil e rápido; eram longas, estreitas, e graciosamente terminadas em ponta. Mesmo quando ficava parado, de asas abertas, no vento suave da noite, era transportado pela aragem como se não tivesse peso. Lançava-se agilmente para o ar com o impulso das pernas, dava duas batidas de asa para obter estabilidade de voo, e elevava-se quase sem esforço. Durante mais de um minuto subiu na vertical, até que a tundra quase desapareceu lá em baixo, no cinzento do crepúsculo. Depois manteve a altitude. A velocidade aumentou, e ele voava com batidas mais leves e mais lentas. O ar sibilava à sua volta e comprimia-lhe as penas contra o corpo. A viagem tinha começado. Mesmo o seu cérebro primitivo e simples sentia vagamente que o caminho indefinido, estendido diante de si através de dois subcontinentes, era um corredor da morte. Nele não havia misericórdia, apenas ameaças de tempestades, de inimigos, da própria morte. No entanto, antes de a tundra inóspita mergulhar na névoa do horizonte, o maçaricão pressentiu levemente que o impulso nupcial voltaria a chamá-lo no próximo ano. Ele havia de voltar a esperar pela sua fêmea, na primavera, quando os musgos e os líquenes do Árctico ficassem verdes outra vez.


O CORREDOR DA MORTE

... Apontamentos de Lucien Mc Shan Turner, até agora não publicados, sobre as aves da baía de Ungava...
Não vi nenhum maçaricão-esquimó, até à manhã do dia 4 de Setembro de 1884, quando estávamos a regressar da foz do rio Koksoak. Um bando enorme, de várias centenas de exemplares, voava em direcção ao sul...

sábado, 7 de novembro de 2009

Hora do folhetim - 8

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Alguns dias mais tarde, a reserva perdera toda a excitação. O maçaricão-esquimó elevou-se no ar e voou um par de horas na direcção do sul. Quando sentiu fome poisou num terreno pantanoso, onde um rio desaguava num grande lago. Vindas da tundra a caminho do sul, chegavam em bando, como todos os verões, as narcejas velhas e novas e os pequenos maçaricos-das-rochas. Pilritos de longas pernas passavam sobre a margem do lago, em oscilantes formações em V. Ele parou de comer e soltou um grito excitado. Este modo de voar, estas formações, só podiam ser de maçaricões. Passavam em formação cerrada e moviam-se tão exactamente como se todos eles fossem um corpo, como se um único centro nervoso controlasse todo o bando. Mantinham as asas curvadas para baixo e desciam para o solo em voo planado. O maçaricão-esquimó correu ao seu encontro. Mas, depois de algumas passadas, parou de repente e continuou a comer, indiferente. Os outros eram maçaricões-norte-americanos, e ele reconheceu-os pelos bicos mais curtos e pelas barrigas cor de cabedal.
O maçaricão não sabia que os recém-chegados, muito semelhantes a ele, voavam mais lentamente, e que, por isso mesmo, não eram companheiros de viagem adequados. Também desconhecia que as narcejas jovens só um pouco mais tarde adquiriam força suficiente para a longa viagem, e eram deixadas para trás pelos pais. No entanto elas seguiam-nos instintivamente ao longo da perigosa rota de doze mil quilómetros, que iam fazer pela primeira vez. Os modelos de comportamento, fixados através dos genes de numerosas gerações, apenas diziam ao maçaricão o que ele tinha que fazer, sem lhe esclarecer os motivos. O seu comportamento não era definido por decisões racionais, mas por reacções aos estímulos do ambiente. De bom grado se teria juntado a um bando migratório. Mas os maçaricões-norte-americanos não provocavam nenhuma reacção no seu cérebro, e por isso continuou a procurar alimento, quase sem olhar para eles. Quando levantaram voo mal deu por isso. A terra estava cheia de ruídos de asas em movimento, e o maçaricão ficou de novo só.
Durante a tarde, o pântano ficou salpicado de narcejas que interromperam o voo e esgaravatavam o lodo em busca de alimento. A maior parte mantinha-se agrupada por espécies. E, com a chegada do crepúsculo, os bandos abalaram, um após outro. Só o maçaricão ficou. Os outros comunicavam por pequenos assobios, organizando de novo as suas formações, na escuridão que se instalava. Durante um momento circulavam a mil metros por cima da tundra, depois rompiam para sul. As narcejas migram sempre de noite. Digerem rapidamente, consomem muita energia, e durante o dia têm que procurar alimento. Durante as migrações, o seu alto consumo de energia só pode ser satisfeito através da exacta regulação do tempo de voo. Ele tem de terminar logo que amanhece, mal as aves podem começar a alimentar-se.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Hora do folhetim - 7

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O ponto alto do ciclo de actividade das glândulas acabava de ser ultrapassado. A produção de hormonas era cada vez menor, e com ela desaparecia lentamente o impulso de acasalamento e a agressividade. Em seu lugar veio uma outra necessidade. Dantes era a defesa da reserva o primeiro mandamento, mesmo mais importante do que a busca de alimento. Agora começava a sentir as primeiras manifestações de um impulso de movimento que não parava. Nenhuma fêmea viera, e a reserva perdera significado.
De vez em quando observava a tarambola-dourada, mas ela não se ia embora. Acabou por deixar de se preocupar com ela e esqueceu-a. Durante um dia deambulou por ali. Às vezes dava-se conta dos intrusos que lhe penetravam na reserva, mas logo se esquecia deles. No dia seguinte outras narcejas chegaram à reserva. Chegavam e partiam, e o maçaricão não lhes ligava qualquer importância. Uma vez voou mesmo um bom bocado pelo rio abaixo, e ficou longe durante um par de horas. Foi a primeira vez que deixou a reserva, desde a sua chegada, há dois meses atrás.
À sua volta as narcejas novas cresciam rapidamente. Os pais abandonavam-nas e elas tinham que fazer pela vida. Era uma separação brusca e total. Pais e filhos formavam, cada um, o seu bando migratório.
O fim de Julho chegou. O pântano fervilhava de insectos e crustáceos, que eram o alimento das narcejas. Havia agora alimento em demasia, e faltavam ainda alguns meses para ao inverno. Mas o Árctico já tinha cumprido o seu papel. E o sul chamava insistentemente, semanas a fio, antes que os bandos de facto se pusessem a caminho. O maçaricão, que durante todo o verão lutara furiosamente por ficar sozinho, ansiava agora por companhia. Isso nada tinha que ver com o pensamento ou com a inteligência. Ele reagia simplesmente ao primitivo modelo de comportamento da espécie, às alterações do ciclo fisiológico. Os dias eram cada vez mais curtos, o sol cada vez mais fraco, e com isso reduzia-se também a actividade da hipófise. As hormonas da hipófise estimulavam as gónadas a derramar hormonas sexuais na corrente sanguínea. E agora, ao reduzir-se a produção de hormonas sexuais, desaparecia o agressivo impulso de acasalamento, substituído pelo instinto migratório. Era apenas um processo fisiológico. O maçaricão não tinha consciência de que o inverno ia chegar ao Árctico, e de que morreria à fome quem se alimentava de insectos e ali permanecesse. Ele conhecia apenas a irresistível força que agora o obrigava a migrar.
Porém, algures no seu cérebro rudimentar, esboçava-se um elementar processo de pensamento. Por que razão estava sempre sozinho? Onde paravam as fêmeas que o seu instinto lhe prometia em cada primavera, quando o fogo nupcial ardia em todas as suas células? Nesta altura, as outras aves juntavam-se em bandos migratórios. Mas por que motivo não havia, entre as miríades de narcejas e outras espécies de maçaricos, nenhuma outra com a penugem castanha mais clara, que ele prontamente reconheceria como irmã de casta?
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domingo, 1 de novembro de 2009

Hora do folhetim - 6

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2
Os dias quentes e as noites frescas passaram com a rapidez do vento, os montes de neve desapareceram das depressões escuras do terreno, e as sóbrias tonalidades cinzentas da paisagem da tundra transformaram-se num flamejante tapete de flores amarelas e rosadas. Mas a fêmea do maçaricão não chegou. As narcejas juntaram-se às centenas, lutaram por uma reserva, acasalaram, fizeram ninhos. Prepararam-se para dar início a um novo ciclo de vida, objectivo pelo qual tinham voado dez ou doze mil quilómetros. O maçaricão lutou como um louco contra as tarambolas, contra qualquer maçarico-das-rochas que atravessasse a fronteira da sua reserva, até esta ficar salpicada das penas castanhas dos intrusos, que demasiado tarde fugiram aos seus ataques. As hormonas do acasalamento, segregadas pelas glândulas, acumulavam-se nele como uma carga explosiva.
O maçaricão lutou contra cada narceja que ousasse chegar-se a ele. Porém, o seu modelo instintivo de comportamento não lhe permitiu ser hostil para com as escrevedeiras, os tentilhões e os lagópodes-brancos, que também povoavam a tundra. Estes não eram biologicamente seus parentes próximos, nem lhe disputavam o alimento de que necessitava para as crias, logo que a fêmea chegasse. Uma fêmea de galo branco fizera o ninho a menos de cinco metros do lugar onde haveria de ficar o seu. Mas o maçaricão mal dera por isso, e após alguns dias já tinha esquecido que ele estava ali.
As noites foram-se tornando maiores e mais escuras. As flores minúsculas e claras da tundra deram lugar a sementes emplumadas, que pareciam tramas de seda. Muito perto, um par excitado de tarambolas-douradas começou a gritar. O negro da penugem do papo e da barriga brilhava intensamente aos raios do sol matinal que apareceu lá longe, no horizonte. Então elas começaram a voar em círculos, rapidamente. O maçaricão sabia que as crias já tinham saído da casca. Tinham acabado de deixar o ninho, bem desenvolvidas desde o início, como todas as narcejas. E agora corriam ali à volta, antes de secarem completamente as cascas do ovo que as tinha protegido. O verão polar ia chegando ao fim.
Várias crias aveludadas corriam pela reserva do maçaricão, atrás da mãe que trazia comida. Este lançou um assobio de aviso na sua direcção e investiu contra elas. As crias gritaram pela mãe, e isso teve sobre ela mais efeito do que o medo de uma ave estranha e muito maior. A fêmea não fugiu. Ficou parada e abriu as asas protectoras sobre as minúsculas bolas de penas que piavam, agachadas no tapete de musgo. O maçaricão levantou voo sem se dirigir a elas, e não voltou a atacá-las. Planou trinta metros até um monte de rochas onde poisou, observou durante um momento como ela alimentava os filhos e esqueceu-os.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Simplesmente uma ideia

Introdução
S. Pedro do Rio Seco é, actualmente, uma aldeia com poucos habitantes e com média etária elevada o que significa que os jovens foram procurando outras paragens que respondessem aos anseios num movimento migratório que vem de há muito anos.
O livro “S. Pedro do Rio Seco - Contribuição para uma Monografia” de José da Fonseca Ramos, no Cap. IV “O Crescimento da nossa Terra – Evolução da População” dá-nos conta dessa evolução numérica ao longo da história documentada.
Por essa obra ficamos a saber que S. Pedro foi, durante muitos anos, a freguesia mais populosa do concelho (falamos do concelho de Castelo Bom ao qual S. Pedro pertenceu até ao ano de 1834) e que a construção da linha férrea até Vilar formoso passando também por Freineda rapidamente alterou o número de habitantes a favor destas duas freguesias. O incremento da oferta de trabalho e comércio que este facto trouxe bastou para fixar mais pessoas.

A agricultura representou, desde sempre, a principal actividade das populações das aldeias do interior como S. Pedro. Havia outras como sapateiro, barbeiro, carpinteiro, moleiro…, que não dispensavam a simultaneidade da actividade agrícola necessária como complemento de subsistência. O contrabando para o país vizinho, aproveitando o factor vizinhança, também trazia algumas benesses.
A fraca produtividade agrícola, devido à pobreza dos solos por um lado e à sempre ausente reestruturação fundiária por outro, com os terrenos, de geração em geração, sucessivamente divididos, não trazia a resposta que as famílias ansiavam.
O movimento migratório foi a resposta natural. Primeiro para as Américas, África e Europa depois. Os grandes centros urbanos do continente iam acolhendo também muitos jovens..
E por esta rampa foi escorregando a população de S. Pedro!

Recentemente, falo num intervalo de poucos anos, algumas iniciativas puseram esta rampa menos inclinada: O Centro Social, alguns melhoramentos como jardinagem e arborização, arruamentos, a construção da ETAR, aquisição de máquinas em associação com outras freguesias do concelho, a dotação recente do importante pavilhão polivalente, etc., têm dado emprego que, para uma pequena freguesia como S. Pedro, tem tradução importante na fixação das pessoas.
Por outro lado, melhores meios de comunicação (o automóvel tornou-se um meio de transporte mais acessível), deixaram as pequenas aldeias como S. Pedro menos isoladas e permite à população activa conseguir empregos noutras terras regressando à aldeia no fim do dia de trabalho.
A agricultura perdeu a importância que tinha e é, actualmente, uma actividade com grandes dificuldades. A construção civil, alguns empregos na pequena indústria e serviços completam as actividades que dão ocupação.

S. Pedro do Rio Seco sempre foi uma aldeia bonita e harmoniosa, mesmo tirando a avaliação suspeita de quem nela nasceu. É também a opinião de muitas pessoas que a visitam e que sem favor assim a classificam. A mais valia que foi adquirindo com algumas obras recentes da iniciativa da Junta de Freguesia e Câmara Municipal tornaram-na ainda mais acolhedora. Aos melhoramentos já referidos acrescentemos também:
- Melhoria das vias de comunicação.
- Instalação de água ao domicílio
- Rede de saneamento e ETAR
- Beneficiação de monumentos (igreja, capela, fonte romana, chafarizes)
- Identificação e sinalização de importantes testemunhos do passado como as sepulturas
antropomórficas, lagar romano e cruzeiros (estes de tipo religioso).
A recuperação de casas por iniciativa dos seus proprietários tem trazido também uma importante valorização à aldeia.

S. Pedro do Rio Seco é, podemos afirmá-lo, uma aldeia bonita, harmoniosa, com condições para acolher quem a queira visitar.

Área rural

Falámos apenas da aldeia dentro dos seus limites urbanos.

Mas S. Pedro tem também uma importante área rural, com uma paisagem atractiva e rica em biodiversidade.
Refiro-me a alguns milhares de hectares de um planalto ligeiramente ondulado com terrenos cerealíferos e pastagens, que a floresta, do tipo pequeno bosque, tem vindo a conquistar mas onde se mantêm largas clareiras que constituem um habitat que dá suporte a vários e importantes nichos ecológicos. A sua área é atravessada por duas linhas de água, o Rio Seco e Ribeira dos Toirões, com caudal de água pouco significativo mas elevada influência ambiental e dinâmica de algumas populações zoológicas e botânicas.
Também a geologia se manifesta com beleza. Há rochedos graníticos, os barrocos, moldados com a beleza que só os elementos souberam fazer com a paciência de milhões de anos. Alguns são mesmo emblemáticos (chamemos-lhes assim) como é o caso do barroco basculante, que com as largas toneladas de peso pode ser oscilado com a força de uma ou duas pessoas! Há também uma área com predominância de quartzo rosado, que de onde em onde se apresenta com bonitos cristais.

Esta área rural é a continuidade geográfica do Parque Natural do Douro Internacional (fica a uma escassa dezena de quilómetros), com características de biodiversidade de igual continuidade.
Vejamos algumas espécies que utilizam este habitat:

1 – Aves

Largas dezenas de espécies de aves nidificam neste território; algumas raras e por isso com classificação apropriada na legislação específica para as aves. É o caso da abetarda, da cegonha negra, do pirolis… Sem a classificação de raras mas que poucas vezes se observam noutras áreas do território nacional e nunca nas zonas urbana como é o caso das cidades, refiram-se, entre outras, os abutres (abutre negro, o grifo, o abutre do Egipto) aves de rapina (milhafre real, milhafre negro, falcão, águias, peneireiros, mochos, corujas, noitibós). Também fazem parte deste habitat algumas com grande beleza das suas penas e por isso não será exagero classificá-las como exóticas. É o caso da poupa, abelharuco, duas subespécies de pica-paus, o papa-figos conhecido localmente como marintéu, o raro e fugidio guarda-rios, o picanço barreto, etc.
O pato-real, galinha de água, a garça-real e as cegonhas, branca e a negra são as aves que na época de reprodução podemos observar garantidamente nas ribeiras e nas charcas.
Quanto a andorinhas podem ser observadas, pelo menos, três subespécies: andorinha dos beirais, a mais comum, andorinha das rochas e a andorinha dáurica esta rara e da qual apenas se conhece um ninho localizado junto à Ribeira dos Toirões.

Foto 1 – Ninho de andorinha dáurica

2 – Mamíferos carnívoros:

Doninha, geneta, toirão, papalva, texugo, gato-bravo, raposa e lontra.
A lontra tem como limite territorial uma altitude à volta dos 750m, atingindo nesta zona esse limite.

3 - Répteis, anfíbios e insectos com destaque especial para algumas espécies raras de escaravelhos.

4 – Animais domésticos:

Vacas, ovelhas, cabras, burros, cavalos, galinhas…

Foto 2 – Gado vacum


Uma visita a S. Pedro do Rio Seco

1 – Vista geral á aldeia com visita da igreja e fonte romana

2 – Passeio rural

Podem ser propostos vários circuitos. Apresenta-se apenas um como exemplo.

Circuito 1

- Início: Junto ao cruzeiro ao Chorro
- 400 m depois: sepulturas antropomórficas.
- Carcidade: local onde provavelmente a aldeia “nasceu”
- 200 m depois virar á direita na direcção do Vale das Devesas onde se podem observar mais sepulturas.
- seguir para Nave Rodrigo até à ponte

Foto 3 – Ponte de nave Rodrigo

- Atravessar a Ribeira e seguir até à raia atravessando uma área onde não é permitido caçar.
- seguir na direcção da “caseta” até à Ponte Pequena na Ribeira dos Toirões.

Foto 4 – Ponte pequena

- regressar pela Salgueirinha, Casa Sola, e novamente Carcidade.

O que pode ser realçado neste circuito:

1 – Sepulturas antropomórficas
2- Formações graníticas, algumas com características curiosas como o rochedo basculante, já mencionado.
3 – Botânica:
carvalho negral
carvalho Cercal (raro nesta zona)
carvalho alvarinho (raro nesta Zona)
freixo
pinheiro bravo
salgueiro
sabugueiro
etc.
Árvores de fruto:
Macieiras, pereiras, cerejeiras, ameixieiras, figueiras, marmeleiros…

Arbustos:
Giesta branca e giesta amarela, rosmaninho, bela luz, tojo, espinheiro…
Hortas: identificar plantas e produtos hortícolas
Foto 5 - Horta

Zoologia:
Aves diversas, dependendo da época do ano
Alguns ninhos:

Foto 6 – Ninho de cotovia; o ovo de cor diferente é de cuco.

Foto 7 – Ninho de pega azul com juvenis(primavera 2009)


Foto 8 – Ninho de perdiz (primavera 2009)



Répteis
Grande variedade de insecto

(os mamíferos carnívoros, por terem uma actividade quase exclusivamente nocturna dificilmente se deixam observar durante o dia exceptuando nas horas crepusculares.

È exigido a não perturbação do meio.

Os circuitos podem ser valorizados com algumas estruturas pouco dispendiosas de que se dão alguns exemplos fotográficos:
foto 9 – Local de observação

Foto 10 – identificação de espécies botânicas. (exemplo típico)

Obras de valorização ambiental

1 – Pequenas represas de água a construir no Rio Seco e Ribeira dos Toirões, aprovadas pelas entidades hidráulicas competentes de forma a garantir, equilíbrio ambiental, que garantam caudais ecológicos e não constituíam barreiras intransponíveis, autênticos garrotes para a vida aquática.

Estas estruturas, a construir a prazo, acrescentariam as seguintes vantagens:
– Dinâmica nas populações aquáticas permitindo um eventual repovoamento com peixes, bivalves de água doce e aves.
- Embelezamento
- suavização do clima

2 – Construção de estruturas de observação se tal se mostrasse necessário.


O circuito aqui “desenhado” que se dirige mais especificamente a pessoas que gostam de “viver” um dia de campo, não é o único objectivo desta modesta ideia. Pode responder também a estudos académicos no âmbito das ciências biológicas, geológicas ou sociais para as quais não falta campo laboratorial.

Conclusão

Nos tempos que correm, é notoriamente crescente o número de pessoas que se sentem bem em contacto com a natureza e por isso se evadem dos grandes centros urbanos onde vivem rodeados de multidões mas quantas vezes bem sós, e procuram, quase sempre em pequenos grupos, lugares rurais, bem longe dos semáforos, do stressante atravessar a rua, das intermináveis filas de automóveis para ir e vir do trabalho, ver o telejornal e telenovela, com repetição no dia seguinte.

E as notícias, em regra, não são boas. Falam do aquecimento global com desaparecimento da calote polar e deixa-nos um pouco perturbados embora pensemos que isso não nos vai tocar a nós quando muito ao vizinho do lado. Vemos cheias e secas onde, dizem, antigamente não havia. Falam-nos da falta de água para consumo, para a agricultura e para produzir electricidade. Olhamos pela janela e perguntamos quanto tempo vai durar o petróleo que alimenta aquela fila de automóveis e a chaminé da fábrica que se vê ao longe.

Há uma crescente onda de preocupação que nos arrasta para a necessidade de mudança, para uma sociedade de transição.

Este pequeno projecto pretende ser o contributo de uma pequena comunidade como é S. Pedro do Rio Seco para responder aquelas pessoas que pretendem evadir-se da cidade, aquelas que querem a mudança, a transição.

AC

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Hora do folhetim - 5

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O CORREDOR DA MORTE

SESSÕES FILOSÓFICAS DA REAL SOCIEDADE DE LONDRES
nas quais se referem as actuais acções, estudos e obras de
investigadores, em muitas e importantes partes do mundo.
Vol. LXII do ano de 1772.

ARTIGO XXIX
Relato sobre aves, comunicado a partir da baía do Hudson. Contém observações sobre a sua história natural, assim como descrições latinas de algumas das espécies mais invulgares. Do sr. Reinhold Forster, membro da Real Sociedade.
Antes da construção da manufactura da baía do Hudson, foi oferecida à Real Sociedade uma grande colecção de invulgares quadrúpedes, aves, peixes, etc, incluindo um catálogo dos seus nomes, locais de permanência, hábitos e modos de vida. Isto através do sr. Graham, que pertence à colónia de Seven River. Os gerentes da companhia da baía do Hudson forneceram as indicações mais corteses, por forma a que estas notícias pudessem ser completadas de tempos a tempos.
(Uma vez que todas as aves descritas pelo sr. Forster têm entrada, sob idêntica designação, nos livros de ornitologia do sr. Latham, não se torna necessário fornecer aqui as descrições latinas).
1. Falco columbarius. Esmerilhão-comum. Ave de arribação.
2. ...
3. ...
18. Espécie nova. Scolopax borealis. Maçaricão-esquimó. Esta espécie de maçarico é até hoje desconhecida dos ornitólogos, e é mencionada pela primeira vez na Faunula Americae Septentrionalis, ou no catálogo da fauna norte-americana. Os indígenas chamam-no “wee-kee-me-nase-su”. Procura alimento nos pântanos, comendo vermes, minhocas, etc. Passa por Fort Albany em Abril ou no princípio de Maio. Nidifica no norte, regressa em Agosto, e migra para o sul, em bandos gigantescos, nos finais de Setembro.

(...)