O verão já não demora, e há bocas sequiosas, e o néctar é urgente.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Maio
O verão já não demora, e há bocas sequiosas, e o néctar é urgente.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Ciclo do Linho
[Não se trata aqui de ensinar nada a ninguém. Sobretudo a quem sabe que, nestes saberes, há pequenas variantes locais, nas práticas e nas designações.
Trata-se apenas de sistematizar, e guardar para memória futura.]
Em Março, lançar a linhaça à terra, no velho gesto do semeador. Ranhar o solo, à sachola, duas vezes. As sementes não devem ficar fundas, porque as plantas serão arrancadas.
Arrancam-se quando as cantarinhas estiverem maduras. Ripam-se num ripanço, e recolhe-se a linhaça nova.
Enfeixa-se o linho em molhos, que são mergulhados na água, para curtir, durante 15 dias. A água pode ser parada, e quanto mais quente melhor.
Ao fim de 15 dias, leva-se uma amostra ao maçadoiro, para ver se o linho está curtido e dá bem a casca. Não dando, fica na água mais alguns dias.
Depois estende-se ao sol, para enxugar os caules. Após o que se maça, no maçadoiro.
Em seguida tasca-se no cortiço, com a espadela, para o libertar do casco. Fica a estriga de linho junto com a estopa. Os marelos são um sub-produto a rejeitar.
Depois é necessário assedá-lo, passá-lo no sedeiro, para separar o linho (mais nobre) e a estopa (mais grosseira). Daí resultam as estrigas.
Segue-se a fiação, com roca e fuso, de que resultam as maçarocas.
No sarilho fazem-se as meadas, a partir das maçarocas. Desmontando o sarilho, retiram-se as meadas, atadas pelo umbigo.
As meadas são cozidas com cinza, para branquear.
Lavadas no tanque, faz-se com as meadas uma barrela. Com cinza, sabão e água quente, para novo branqueamento.
No orgadilho (dobadoira), fazem-se os novelos.
E com eles urde-se a teia, na urdideira. Cada fio no seu dente.
Instalar a teia no tear.
Encher as canelas no caneleiro. As canelas são sucessivamente alojadas na lançadeira, espécie de naveta que transporta o fio, para um lado e outro, na teia. A perdizela é um pequeno eixo, dentro da lançadeira, que segura a canela.
Depois é só tecer, recolher as varas, e preparar o bragal.
Trata-se apenas de sistematizar, e guardar para memória futura.]
Em Março, lançar a linhaça à terra, no velho gesto do semeador. Ranhar o solo, à sachola, duas vezes. As sementes não devem ficar fundas, porque as plantas serão arrancadas.Enfeixa-se o linho em molhos, que são mergulhados na água, para curtir, durante 15 dias. A água pode ser parada, e quanto mais quente melhor.
Depois estende-se ao sol, para enxugar os caules. Após o que se maça, no maçadoiro.
Instalar a teia no tear.
Encher as canelas no caneleiro. As canelas são sucessivamente alojadas na lançadeira, espécie de naveta que transporta o fio, para um lado e outro, na teia. A perdizela é um pequeno eixo, dentro da lançadeira, que segura a canela.
Depois é só tecer, recolher as varas, e preparar o bragal.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Hora do folhetim - 51
(...)
Na tundra, os charcos de água derretida, os montes de cascalho e os pequenos prados na curva do rio não tinham mudado. O longo voo tinha esgotado o maçaricão. Mas, quando uma tarambola-dourada se aproximou demasiado da sua reserva, avançou para ela e atacou. O verão polar era curto, e ele tinha que manter a reserva pronta para a fêmea. O instinto dizia-lhe que ela em breve iria chegar.
O CORREDOR DA MORTE
L. L. Snyder
As aves do Árctico Canadiano
Imprensa da Universidade de Toronto em colaboração com o Museu Real de Zoologia e Paleontologia do Ontário 1955
Maçaricão-esquimó, Numenius borealis.
Presumivelmente extinto...
Visto pela última vez perto de Galveston (Texas), a 29 de Abril de 1945.
Antigamente muito disseminado...
Presumivelmente extinto...
Visto pela última vez perto de Galveston (Texas), a 29 de Abril de 1945.
Antigamente muito disseminado...
Planeta-Mãe - 42
Mudança de olhar sobre a vida do campo
Desde que os homens começaram a cultivar a terra, raramente os que a trabalhavam eram os seus possuidores. Em nome desta posse, adquirida pela força ou por herança, os servos deviam alimentar os senhores, a sua corte, o clero, os notáveis, os militares, etc. Nos anos de más colheitas, as classes sociais superiores eram as primeiras a servir-se, muitas vezes à força e graças à submissão dos mais fracos. Os que trabalhavam a terra não recebiam muitas vezes mais que migalhas de colheitas que não eram consideradas suas.
Depender dos imprevistos climatéricos e dos caprichos da natureza não é certamente confortável. (…) Mas cultivar a terra num estado de espírito sereno também não é possível, quando as pressões financeiras e políticas são pesadas. Quando as exigências de produtividade e rendimento se tornam obrigações inalienáveis, os imprevistos da natureza tornam-se inaceitáveis. Mesmo tendo mudado na forma, a pressão que pesa sobre os ombros dos camponeses continua, no fundo, a mesma.
No nosso mundo capitalista, a pressão do rei dinheiro substituiu a opressão das leis marciais. Servos aviltados, desunhando-se nos campos para finalmente se contentarem com a sobrevivência, são uma realidade contemporânea. No Ocidente, os agricultores são mantidos pelos fornecedores, as poderosas multinacionais da agroquímica, que lhes fornecem sementes, adubos e pesticidas. E estão também sob a pressão doutras multinacionais, que são os principais clientes: a indústria agro-alimentar e a grande distribuição.
Grandes consumidores de combustível, os agricultores dependem igualmente das flutuações dos preços do petróleo. No momento da sementeira, não sabem a que preço venderão as suas colheitas. Mas sabem com toda a certeza que terão que fazer face aos prazos de vencimento dos créditos bancários. (…)
Vista desta forma, a Idade Média continua actual, apenas a forma e as aparências mudaram. Os “senhores” já não habitam hoje em castelos de pedra instalados no local; antes em torres de vidro e aço, nas grandes cidades, onde se encontram os detentores do capital. (…)
Desde que os homens começaram a cultivar a terra, raramente os que a trabalhavam eram os seus possuidores. Em nome desta posse, adquirida pela força ou por herança, os servos deviam alimentar os senhores, a sua corte, o clero, os notáveis, os militares, etc. Nos anos de más colheitas, as classes sociais superiores eram as primeiras a servir-se, muitas vezes à força e graças à submissão dos mais fracos. Os que trabalhavam a terra não recebiam muitas vezes mais que migalhas de colheitas que não eram consideradas suas.
Depender dos imprevistos climatéricos e dos caprichos da natureza não é certamente confortável. (…) Mas cultivar a terra num estado de espírito sereno também não é possível, quando as pressões financeiras e políticas são pesadas. Quando as exigências de produtividade e rendimento se tornam obrigações inalienáveis, os imprevistos da natureza tornam-se inaceitáveis. Mesmo tendo mudado na forma, a pressão que pesa sobre os ombros dos camponeses continua, no fundo, a mesma.
No nosso mundo capitalista, a pressão do rei dinheiro substituiu a opressão das leis marciais. Servos aviltados, desunhando-se nos campos para finalmente se contentarem com a sobrevivência, são uma realidade contemporânea. No Ocidente, os agricultores são mantidos pelos fornecedores, as poderosas multinacionais da agroquímica, que lhes fornecem sementes, adubos e pesticidas. E estão também sob a pressão doutras multinacionais, que são os principais clientes: a indústria agro-alimentar e a grande distribuição.
Grandes consumidores de combustível, os agricultores dependem igualmente das flutuações dos preços do petróleo. No momento da sementeira, não sabem a que preço venderão as suas colheitas. Mas sabem com toda a certeza que terão que fazer face aos prazos de vencimento dos créditos bancários. (…)
Vista desta forma, a Idade Média continua actual, apenas a forma e as aparências mudaram. Os “senhores” já não habitam hoje em castelos de pedra instalados no local; antes em torres de vidro e aço, nas grandes cidades, onde se encontram os detentores do capital. (…)
Planeta-Mãe - 41
Promessas e boas intenções
Estas constatações podem parecer alarmistas, às pessoas que se consideram informadas ouvindo as televisões. A cada catástrofe mediatizada, as emoções suscitadas na população tornam-se um terreno de marketing propício para os políticos. Podem vender uma boa imagem de si próprios, fazendo anúncios que comoverão os cidadãos chocados ou revoltados. As promessas apenas implicam os que nelas crêem. E os crentes raramente verificam, nos anos seguintes, que as boas intenções se transformaram em actos concretos. Um ano depois dos “motins da fome”, menos de 10% das promessas foram cumpridas. (…)
Em 2005, depois dos motins nos arrabaldes franceses, a estigmatização destas populações de excluídos transformou-se em compaixão. Surpreendidos pela amplitude dos acontecimentos, os media e certos espectadores procuraram conhecer as causas profundas duma tal explosão de cólera. As reportagens sobre as condições de vida nas cidades, os testemunhos sobre o sentimento de exclusão e marginalização, a ausência dum futuro credível para esta juventude condenada ao desemprego, acabaram por tocar os tele-espectadores.
O ministro do interior da época anunciou perante as câmaras um “plano Marshall para os arrabaldes”. Quem verificou o que aconteceu depois? Quando o orçamento da habitação foi o primeiro a sofrer cortes importantes em 2008, enquanto o da Defesa se mantinha e o do Eliseu galopava?
Toda esta ingenuidade crédula, esta necessidade de argumentos de boa consciência contrariados pelos acontecimentos… fazem certamente parte integrante das causas que explicam a nossa incapacidade de pôr em prática verdadeiras mudanças. (…) As nossas pequenas cabeças são formatadas para sonhar com a “Glória, Riqueza e Beleza”, e não para um regresso à terra, para uma felicidade na simplicidade, e um modo de vida em harmonia com a natureza.
Estas constatações podem parecer alarmistas, às pessoas que se consideram informadas ouvindo as televisões. A cada catástrofe mediatizada, as emoções suscitadas na população tornam-se um terreno de marketing propício para os políticos. Podem vender uma boa imagem de si próprios, fazendo anúncios que comoverão os cidadãos chocados ou revoltados. As promessas apenas implicam os que nelas crêem. E os crentes raramente verificam, nos anos seguintes, que as boas intenções se transformaram em actos concretos. Um ano depois dos “motins da fome”, menos de 10% das promessas foram cumpridas. (…)
Em 2005, depois dos motins nos arrabaldes franceses, a estigmatização destas populações de excluídos transformou-se em compaixão. Surpreendidos pela amplitude dos acontecimentos, os media e certos espectadores procuraram conhecer as causas profundas duma tal explosão de cólera. As reportagens sobre as condições de vida nas cidades, os testemunhos sobre o sentimento de exclusão e marginalização, a ausência dum futuro credível para esta juventude condenada ao desemprego, acabaram por tocar os tele-espectadores.
O ministro do interior da época anunciou perante as câmaras um “plano Marshall para os arrabaldes”. Quem verificou o que aconteceu depois? Quando o orçamento da habitação foi o primeiro a sofrer cortes importantes em 2008, enquanto o da Defesa se mantinha e o do Eliseu galopava?
Toda esta ingenuidade crédula, esta necessidade de argumentos de boa consciência contrariados pelos acontecimentos… fazem certamente parte integrante das causas que explicam a nossa incapacidade de pôr em prática verdadeiras mudanças. (…) As nossas pequenas cabeças são formatadas para sonhar com a “Glória, Riqueza e Beleza”, e não para um regresso à terra, para uma felicidade na simplicidade, e um modo de vida em harmonia com a natureza.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

